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EDITORIAL
QUANDO A
ÉPOCA CHUVOSA SE APROXIMA
Vem aí a época de chuvas intensas em Moçambique em geral e
no Vale do Zambeze em particular. Alias, devia ter já
chegado, se as previsões meteorológicas não fossem de
facto previsões, pois a indicação que havia era de que
já em Novembro estaríamos com chuvas abundantes.
Ora, aqui na região do Vale do Zambeze a situação a que
estamos habituamos e que é cíclica, é de que quando a
época chuvosa chega, volta-se para a estaca zero. Todo o
esforço empreendido durante o ano em construir isto aqui
e acolá redunda em nulo. São as pontecas e as estradas
em terra batida que tanto sacrifício e recursos
financeiros custaram ao Estado que se danificam,
tornando-se intransitáveis muitas delas; ora são os
campos semeados ou já com algumas culturas que são
arrastados pelas águas da chuva e que levam consigo tudo.
O pior de tudo, são os nossos deslocados das cheias
cíclicas que ficam desamparadas anualmente. Esses, não
importa se houve chuvas intensas ou regulares, existem
sempre, porque as zonas que ocupam são baixas ao ponto
de qualquer chuva enche-las. Todos os apelos do Governos
e seus parceiros com vista ao abandono definitivo das
zonas propensas a inundações têm sido ignorados por uma
boa maioria destes compatriotas, daí a razão de termos
anualmente afectados pelas cheias. É uma situação
dramática e desgastante, a avaliar pelas medidas que
devem ser tomadas anualmente para mitigar os efeitos de
uma mesma catástrofe, pois se houvesse pouco de bom
senso por parte destes compatriotas, os esforços e
necessidades também seriam mínimas.
Sabe-se que o Governo através do INGC já anda atento a
situação. Oxalá que desta vez haja menos gente por
resgatar comparando com o ano passado, que mercê do
abnegado esforço do Governo e parceiros foi evitado o
pior. Os afectados foram atempadamente retirados e
colocados em zonas seguras, pese embora sem condições
duradoiras, sobretudo casas, mas em esforços dignos de
louvar, se considerar o perigo que estas pessoas foram
poupadas.
Esperamos que este ano, haja mais consciência nos nossos
compatriotas sobre o perigo que as cheias representam,
haja muita iniciativa, e que voluntariamente, com
antecedência possível, comecem a abandonar as zonas
consideradas de risco, poupando deste modo o Estado, o
Governo e seus parceiros, de grandes exercícios para
salvar vidas. Bem-haja.
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