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Ano 3, Edição 8 de 30 de Novembro de 2008 (Boletim Mensal)

 


EDITORIAL

 

 

 

QUANDO A ÉPOCA CHUVOSA SE APROXIMA

 

Vem aí a época de chuvas intensas em Moçambique em geral e no Vale do Zambeze em particular. Alias, devia ter já chegado, se as previsões meteorológicas não fossem de facto previsões, pois a indicação que havia era de que já em Novembro estaríamos com chuvas abundantes.

Ora, aqui na região do Vale do Zambeze a situação a que estamos habituamos e que é cíclica, é de que quando a época chuvosa chega, volta-se para a estaca zero. Todo o esforço empreendido durante o ano em construir isto aqui e acolá redunda em nulo. São as pontecas e as estradas em terra batida que tanto sacrifício e recursos financeiros custaram ao Estado que se danificam, tornando-se intransitáveis muitas delas; ora são os campos semeados ou já com algumas culturas que são arrastados pelas águas da chuva e que levam consigo tudo.

O pior de tudo, são os nossos deslocados das cheias cíclicas que ficam desamparadas anualmente. Esses, não importa se houve chuvas intensas ou regulares, existem sempre, porque as zonas que ocupam são baixas ao ponto de qualquer chuva enche-las. Todos os apelos do Governos e seus parceiros com vista ao abandono definitivo das zonas propensas a inundações têm sido ignorados por uma boa maioria destes compatriotas, daí a razão de termos anualmente afectados pelas cheias. É uma situação dramática e desgastante, a avaliar pelas medidas que devem ser tomadas anualmente para mitigar os efeitos de uma mesma catástrofe, pois se houvesse pouco de bom senso por parte destes compatriotas, os esforços e necessidades também seriam mínimas.

Sabe-se que o Governo através do INGC já anda atento a situação. Oxalá que desta vez haja menos gente por resgatar comparando com o ano passado, que mercê do abnegado esforço do Governo e parceiros foi evitado o pior. Os afectados foram atempadamente retirados e colocados em zonas seguras, pese embora sem condições duradoiras, sobretudo casas, mas em esforços dignos de louvar, se considerar o perigo que estas pessoas foram poupadas.

Esperamos que este ano, haja mais consciência nos nossos compatriotas sobre o perigo que as cheias representam, haja muita iniciativa, e que voluntariamente, com antecedência possível, comecem a abandonar as zonas consideradas de risco, poupando deste modo o Estado, o Governo e seus parceiros, de grandes exercícios para salvar vidas. Bem-haja.


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