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VALE DO
ZAMBEZE

O Vale do Zambeze ocupa uma
área de 225 000 Km2 (cerca de 27,7% da superfície do
país), com uma população de 3,755 milhões de habitantes
(25% da população moçambicana, 56% da população das 4
Províncias do Centro onde se insere o Vale do Zambeze).
O Conselho de Ministros criou pelo Decreto 40/95 de 22 de
Agosto de 1995, o Gabinete para o Desenvolvimento do Vale
do Zambeze o GPZ, com as funções de planificação,
promoção, direcção, coordenação e supervisão do
desenvolvimento da região abrangida pelo Vale do Zambeze.
Estão aprovados pelo Decreto 16/98 de 16 de Abril de 98,
disposições legais que providenciam um regime fiscal e
aduaneiro especiais, incentivando o investimento na
região.
Na região concentram-se os recursos mais variados de solo,
subsolo, climas, bases de produção de energia. A população
do Vale do Zambeze vítima de cerca de trinta anos
contínuos de guerras de agressão promovidas pelo
colonialismo, o regime rebelde da Rodésia e pelo apartheid
apresenta, como consequência, o mais baixo índice de
desenvolvimento humano do país.
O vale do Zambeze, em termos
da África Austral, representa:
1. a
maior reserva de água do sub-continente, que a partir de
2020 não disporá de água suficiente; neste momento basta
salientar que, somente, no Lago da Cahora Bassa existe
mais água que em toda a África do Sul;
2. a maior reserva de energia renovável para toda a África
Austral, que entre 2007 e 2010 estará carente de energia;
3. a maior reserva de carvão de coque, de alta qualidade;
4. a zona de melhor potencial agrícola, em termos de vastidão
de terras e de qualidade, assim como nas reservas de
água.
EIXOS PRIORITÁRIOS DE
DESENVOLVIMENTO
O
desenvolvimento do Vale, nos termos do aprovado pelo
Governo, está planificado ao longo de dois eixos
essenciais e complementares:
1. Os grandes projectos orientados para a produção de
energia eléctrica, com base na água e carvão, a exploração
dos recursos do subsolo, carvão, granitos,
titano-magnetites, o sistema de transportes de energia, de
cereais, leguminosas e de minérios, a implantação de
indústrias consumidoras de energia. A este nível situam-se
os projectos das centrais hidroeléctrica de Cahora Bassa
(Sul e Norte), Mpanda Nkua, Boroma, Lupata, a central
térmica de Moatize, a reabilitação da Linha de Sena, etc...
2. Acções coordenadas com as comunidades (desenvolvimento
comunitário) e destinadas a potenciar o
desenvolvimento da agricultura, silvicultura, pecuária,
pescas e processamento local da produção destinada ao
mercado.
Em resumo, há que compreender que o Vale do Zambeze
apresenta requisitos essenciais para o desenvolvimento
sustentável de Moçambique, dos países membros da SADC e do
continente, pode-se tornar uma das direcções principais da
cooperação entre Moçambique e parceiros privados e
públicos, pois, não há dúvidas que:
-
Constituí a base principal
de recursos hídricos para a região austral;
-
Constituí a base principal
de produção de energia eléctrica com base renovável e
menor impacto ambiental;
-
Constituí uma das bases
essenciais para a produção do arroz e algodão,
oleaginosas, leguminosas, cereais e gado, florestas
renováveis.
DESAFIOS
A meta foi já definida. Há áreas prioritárias de
desenvolver a considerar, a saber:
Grandes Projectos
Existe o potencial,
devidamente identificado, os potenciais bem conhecidos, os
custos determinados.Estes potenciais, se materializados,
servirão, a termo, Moçambique, a África Austral, a SADC, o
continente.
1.
Ponte sobre o rio Zambeze em Caia
Um significado estratégico
para a economia e a unidade nacional, para assegurar a
comunicação terrestre entre o Sul e o Norte do país, é a
ponte de Caia, no rio Zambeze.
2. Cahora Bassa Sul
A HCB foi criada em 1970.
Pelos Acordos de 1975 Moçambique dispõe de 18,34% do
capital e Portugal 81,60%, em princípio e como previsto em
2000 Moçambique ficaria com 100% do capital ao custo zero,
uma vez que Portugal teria amortizado a dívida. Factores
de ordem conjuntural e segurança inviabilizaram durante
longos anos a rentabilidade da empresa, consequentemente,
o previsto não pode materializar-se.
Há negociações em curso que destinam-se à entrega de 51%
do capital a Moçambique, reduzindo a parte portuguesa para
23% e cedendo-se 26% outros a terceiros.
3.
Cahora Bassa Norte:
Instalação na margem Norte
da Barragem de Cahora Bassa, com capacidade para 850 MW
(potência máxima estimada em 1200 MW).
Custo: Central EUR 369 milhões, transmissão EUR 460
milhões.
4.
Mpanda Nkua:
Capacidade instalada 1300 MW,
potência máxima 2000-2400 MW.
Transmissão:
Mpanda Nkua - Cahora Bassa: 2x400 KW AC,60 Km;
Mpanda Nkua – Beira – Massinga - Maputo: 2x400KW AC, 1540
Km;
Custo do Projecto: 1 817 milhões de Euros;
Período de construção : de 5-7 anos.
O Governo já apresentou os estudos ao sector privado
nacional e estrangeiro, de modo a iniciarem-se os
projectos de engenharia financeira e de construção.
Mpanda Nkua dirige-se sobretudo para as necessidades
moçambicanas e dos países vizinhos. Responde ás
necessidades da África Austral, que entre 2007 e 2010 não
dispões de capacidade instalada de energia renovável e não
poluente para assegurar o desenvolvimento económico.
5. Carvão
As perspectivas para a bacia
carbonífera de Moatize :
·
Abertura de minas de carvão
a céu aberto para a produção inicial de 3,2 milhões de
toneladas ano de carvão coque para a exportação;
·
Utilização de cerca de 2.6
milhões de toneladas ano, de carvão de queima para
alimentar uma central térmica a construir na boca da mina
em Moatize, com uma capacidade instalada de 1100 MW, ou
para exportação (os preços FOB situam-se nos 27US$/T, e os
custos de transporte abaixo dos 13US$/T) ou para a
produção de químicos;
·
Os baixos custos do carvão
de queima em Moçambique tornam-no atractivo para
indústrias consumidoras de energia na zona, incluindo o
alumínio, aço, têxtil, polpa de papel.
·
Pequenos e Médios Projectos
1.
Agro-pecuária
Dos
225 000 Km2 de área (cerca de 220 milhões de Hectares), o
Vale do Zambeze tem cerca de 52% dos recursos hídricos do
país.
Foram identificados 2,5
milhões de hectares para a agricultura e 2,2 milhões para
silvicultura, pastorícia e florestas, um total de 5,5
milhões de hectares.
Cerca de 1,5 milhões de
hectares destinam-se a agricultura intensiva, com
regadios.
De acordo com a Constituição
a terra é propriedade do Estado, apenas as beneficiações
que nela se introduzem podem ser vendidas, hipotecadas ou
objecto de transacções comerciais. A posse da terra pelas
comunidades é perpétua, enquanto para os demais sectores
são objecto de concessões, que se renovam automaticamente
caso os termos da concessão se encontrem respeitados.
O Estado assegura a posse de
uso e aproveitamento da terra por períodos até 50 anos
renováveis, através de legislação apropriada, protegendo
os utilizadores e as comunidades;
Algodão
O sector algodoeiro também
produz sementes para o fabrico de óleos alimentares e para
exportação;
O Estado concede aos operadores áreas para o fomento,
comercialização e processamento do algodão, no quadro do
interesse de promover a actividade. A população, nas suas
próprias terras, produz igualmente algodão como cultura de
rendimento.
Aconselhamos os concessionários a desenvolverem
actividades de extensão, não apenas em termos de algodão,
mas também de outras produções agrícolas.
Aconselhamos e para isso concedemos incentivos, para que
se processe o algodão na região.
ARROZ
Existe o potencial de
excelentes condições agro ecológicas para a produção do
arroz, estimadas em mais de 600.000 hectares, numa região
com forte tradição desta cultura pela população;
Esta área localiza-se na zona litoral das Províncias de
Sofala e Zambézia de Moçambique;
São objectivos:
-
Reabilitar as
infra-estruturas de irrigação e de controlo das cheias;
-
Promover formação
profissional e vocacional
-
Promover o crédito rural;
-
Promover oportunidades de
investimento privado;
-
Promover o investimento
público para o desenvolvimento humano e comunitário;
-
Promover oportunidades de
negócios e de auto emprego;
-
Restabelecer agro industria
do arroz ;
-
Existe um mercado para o
arroz :
-
Moçambique importa mais de
US$ 30 milhões por ano;
-
SADC importa no seu conjunto
cerca de US$ 300 milhões por ano;
De grande importância no Vale, o seu potencial para
cereais, leguminosas, oleaginosas, com destaque para os
feijões, girassol, soja, coco.
Pecuária
Existe um grande potencial
para o desenvolvimento da pecuária extensiva e intensiva
do bovino no Vale do Zambeze;
Áreas potenciais:
- Tete: Zumbo, Fingoé, Planalto,
Moatize, Changara, Mutarara;
- Zambézia: Morrumbala, Mopeia, e
todo o seu litoral;
- Manica: Guro e Barué (Serra Choa)
para gado leiteiro;
Acções de saneamento das parasitoses em especial a Tsé-tsé
são fundamentais e são levadas a cabo.
Estimulamos o investimento privado e o fomento pecuário de
bovinos, caprinos, ovinos, aves, aquacultura e a
pecuarização do bravio (avestruz), adaptados às nossas
condições assim como a industrialização das suas carnes,
couros, lacticínios e outros subprodutos da pecuária;
Florestas e
Reflorestamento
A inventariação dos recursos
florestais realizados na região pelo Governo, indicam
reservas florestais nativas importantes, ricas em
essências, como por exemplo a Umbila (Ptorocarpus
angolensis), a Umbaua (Khaya nyasica);
A exploração destes recursos passa pela estratégia de
desenvolvimento sustentável, exploração comercial
salvaguardando a conservação de modo permitir a auto
regeneração combinada com acções de reflorestamento;
O Estado promove o reflorestamento com espécies de rápido
crescimento, para a industrialização, construção, fabrico
de papel, combustível lenhoso. Nestes programas estimula o
plantio de árvores de múltiplo uso que inclui as
fruteiras; assim como espécies exóticas (Pinheiros,
eucaliptos e, acácias) produtoras de madeiras para
celulose, protecção de solos contra a erosão etc.
-
As áreas potenciais:
-
Angónia, Fingoé, Macanga e
Maciço de Mepalé, Albufeira de Cahora Bassa em Tete e
Serra Chôa em Manica.
-
O Estado através do GPZ
promove o envolvimento comunitário nestas acções.
Áreas de Conservação e Ecoturismo
O potencial de áreas de
conservação e ecoturismo, é enorme. O Estado promove o uso
de recursos e sua gestão, através de mecanismos que
permitem por um lado as a coexistência de áreas de
conservação estrita sob controle dos Estado e as áreas de
conservação sob gestão comunitária e ou privada, para fins
do ecoturismo e ou caça devidamente autorizada.
O GPZ definiu o Delta do Zambeze, o Complexo das terras
húmidas de Marromeu e o Parque Nacional da Gorongoza como
áreas que merecem uma atenção especial, neste domínio a
cooperação visando o apoio institucional.
Neste contexto, o GPZ prioriza:
- Cooperação científica e técnica,
para elaboração, implementação e gestão de um plano de
desenvolvimento das áreas referidas;
-
Formação;
-
Capacitação em meios de
transporte fluvial e nas áreas pantanosas;
-
Capacitação em
infra-estruturas básicas de apoio ao trabalho e as
comunidades
-
As áreas para ecoturismo e
ou caça, são as coutadas e as áreas de gestão comunitária
de recursos (ex. .Tchuma Tchato).
-
É do interesse do GPZ,
consolidar e criar novas áreas de uso e gestão de recursos
naturais pelas comunidades e pelo sector privado nas
regiões limítrofes à Barragem de Cahora Bassa, como o
distrito de Marávia, e nos distritos de Tambara, Chemba,
Mutarara, Caia e Marromeu e regiões periféricas as áreas
de conservação, para desenvolvimento do ecoturismo.
Investigação
e Extensão
Prioridade vai para o
desenvolvimento e capacitação institucional das Estações
de Investigação e Extensão Agrárias do Vale do Zambeze,
nomeadamente a (EZA - Estação Zootécnica da Angónia e as
Unidades de experimentação) nas áreas:
- Formação;
-
Capacitação em meios e
infra-estruturas básicas (ex.: Banco de Sémen,
Laboratórios, salas para formação, armazém, silos,
equipamentos, etc.)
- Capacitação
da rede de extensão e assistência técnica.
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